Mau Hálito na Academia

Fonte de imagem: Flickr SFO CP
Hoje a dica é para a turma que se preocupa com a saúde e frequenta academia. E começo perguntando: você se preocupa com seu hálito quando está se exercitando?
Pois é, muita gente não lembra desse item essencial que faz parte da socialização em ambientes como de uma academia, onde muitas pessoas frequentam e se encontram diariamente.
O que a maioria sabe mas não se atenta é que ao exercitar-se a orientação dos professores é inspirar pelo nariz (puxar o ar para dentro) e expirar pela boca (soltar o ar para fora) nos momentos de execução de um exercício. E aparentemente não há problema nisso, desde que seu hálito esteja bom.
Infelizmente tenho observado na prática que as pessoas não se atentam ao seu hálito, fazendo o vizinho de aparelho sair de perto e interromper a própria atividade, pois não aguenta a halitose do vizinho. Não há nada mais desagradável que estar tentando se exercitar e do seu lado ter alguém com halitose, fazendo de sua atividade física um sacrifício por conta da falta de cuidado do outro.
Por isso fica aqui o alerta: se você tem dúvidas se tem mau hálito e frequenta uma academia, pergunte a alguém de sua confiança e, na falta de informação, use um chicletinho. O seu companheiro ao lado agradece!
Afinal: quem trata o mau hálito?
Essa é a pergunta que mais recebo dos leitores desde que o Saudálito foi ao ar.
A resposta é: primeiramente quem está mais próximo, como profissional, é o dentista. É ele quem pode prevenir, orientar e muitas das vezes tratar. Afinal de contas o hálito é exalado pela boca.
Entretanto, o que muita gente ainda não sabe é que existe o especialista em halitose.
Porém, como a halitose pode ser originada por diversos fatores e ultrapassou os limites da Odontologia, a atuação deste especialista é reforçada, na maioria das vezes, com o trabalho em conjunto de otorrinos, gastros, nutricionistas e psicólogos, entre outros.
Por isso se você tem mau hálito, procure seu dentista. Se sua saúde oral estiver ok, mas persiste a halitose, então procure um especialista em halitose. Garanto que seguindo este caminho e estando nas mãos certas, seu problema será resolvido.
Fonte da imagem: Flickr (AlishaV)
Dra. Olinda Tárzia no Saudálito
Hoje o Saudálito tem o imenso prazer em entrevistar Olinda Tárzia. Ela é Doutora em Bioquímica pela FOB-USP (Faculdade de Odontologia de Bauru), professora de Graduação da disciplina de Halitose da FOB-USP e da primeira turma de especialização em Halitose no mundo, na Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas. Com uma carreira intensamente dedicada ao ensino e à pesquisa, Dra. Olinda é autora do primeiro protocolo de tratamento de Halitose, dando origem ao livro “Halitose: Um Desafio que tem Cura“, reconhecido internacionalmente como a primeira publicação mundial sobre o tema:
Pergunta: Qual a maior resistência do paciente de halitose durante o tratamento?
Em geral eles desconhecem os riscos sistêmicos que as bactérias produtoras de mau hálito podem provocar se caírem na corrente circulatória ou se forem espiradas. Por esse motivo negligenciam os tratamentos sistêmicos à partir do momento que sentem bons resultados com o tratamento local.
Quando o tratamento sistêmico envolve procedimentos para corrigir o fluxo salivar, em geral exige mudanças de hábitos e nesse aspecto a resistência é razoável.
Pergunta: Qual a sua visão sobre o tratamento de halitose entre os colegas dentistas que não tratam o problema ou que desconhecem a existência do tratamento?
Acredito que hoje já está começando a aumentar o interesse pelo assunto, porém muitos deles não têm tempo para se dedicar a fazer um curso ou estudar e deixam para depois.
Muitos colegas começam a valorizar de fato o tratamento e se interessar pelos conhecimentos básicos sobre o assunto no momento em que se tornam pacientes e recebem tratamento adequado.
Pergunta: Na sua opinião a halitose deveria ser uma especialidade odontológica?
No momento acho que se trata de uma idéia prematura. Há falta de professores do assunto, as escolas de odontologia não têm grade curricular correspondente. Falta massa crítica.
Dentro de algum tempo é bem provável que venha a se tornar especialidade reconhecida.
Pergunta: A halitose é contagiosa?
Ao contrário das halitoses de causas sistêmicas, toda a halitose cuja origem seja a boca ou a garganta e vias aéreas, pelo fato de acontecerem por contaminação bacteriana, pode ser transmissível.
No entanto, dependendo da resistência do hospedeiro (entenda-se: composição e fluxo salivar normais) pode não acontecer, mesmo quando ocorra eventual exposição à flora patogênica.
Pergunta: O que a Sra. gosta mais: dar aulas e se dedicar à pesquisa científica sobre o assunto ou ao atendimento e acolhimento do paciente?
A gente só se sente completa quando ensina, pesquisa, aprende mais e se dedica ao paciente. É difícil escolher uma das opções. Até para sair da rotina é muito bom variar a forma de interagir com o assunto.
Pergunta: Qual perfil deve ter um profissional que trata de halitose?
É importante saber ouvir o paciente, ter paciência e passar credibilidade, caso contrário eles não executam os procedimentos propostos de acordo, prejudicando o tratamento. Também não pode se esquecer de se atualizar sempre porque se trata de uma área em rápida evolução.
Infecção hospitalar pela boca
Já sabemos que a saúde começa pela boca, não é? No entanto, demorou-se a entender que os problemas de saúde igualmente começam por ela.
Assim como a odontologia hospitalar já é realidade e a cada dia está mais presente atuando em UTIs e ambientes hospitalares em geral, o nível de conscientização está aumentando também, de modo a trazer muitos benefícios a seus pacientes.
A principal mudança é a higiene bucal em pacientes acamados com quadro grave e debilitados, que por muito tempo foi deixada de lado, permitindo que as doenças bucais provocassem pioras nos quadros de saúde destes pacientes sem que fosse feita nenhuma correlação.
Este cuidado já está virando protocolo em vários hospitais e tem se dado grande atenção por entender que a infecção hospitalar geralmente provém do próprio paciente quando não há higienização bucal diária. Afinal, uma gengivite não cuidada pode evoluir para uma periodontite, agravando sim o quadro clínico do paciente se não for rigidamente observado pelo médico. A propósito, o quadro mais comum de agravamento por descuido da higiene bucal é a pneumonia, responsável por 30% das mortes em ambiente hospitalar.
A saburra lingual é outro foco de bactérias que deve ser diarimente removido para evitar contaminação ao paciente num momento em que a saúde está debilidata e necessita de total atenção. Por sua vez, a halitose é quadro comum em quem está hospitalizado por diversas razões, mas a higiene deve sempre ser efetuada com cuidado diário.
Por isso, infecção hospitalar também pode começar pela boca. Pensemos e atuemos contra isso!
Fonte da imagem: Agência Estado (Evelson de Freitas)
Mau hálito e TPM
Sei que nem todas as mulheres sofrem de TPM, mas como é um probleminha presente na minha vida e na de muitas, achei pertinente tratá-lo aqui, pois está relacionado à queixa de algumas pacientes minhas sobre a halitose no período pré-mesntrual.
Já não bastasse a mudança de humor, as dores de cabeça, cólicas, inchaço no corpo e as várias sensações desagradáveis, o mau hálito também aparece.
E, por qual motivo? Podem ser variados, mas vamos identificar alguns.
O turbilhão hormonal que todo mês a mulher passa provoca a diminuição salivar, que muitas vezes nem é percebida, além da descamação da mucosa bucal.
Estes dois fatores juntos formam o tapete de células mortas na língua que, por falta de saliva para realizar a lubrificação e higiene bucal, permite um ambiente adequado para que bactérias produtoras de odores permaneçam e provoquem a halitose.
A diminuição do apetite também faz com que a mulher fique muitas horas sem ingerir algum alimento, procovando a halitose de jejum e, nos casos de mulheres que ficam mais ansiosas e com fome aumentada, a ingestão de alimentos gordurosos e muito calóricos - um prato cheio para uma possível halitose.
Infelizmente muita gente sofre deste quadro e nem sabe que o tem, pois não percebe o nível de irritabilidade que fica durante esse período, tanto pelos afazeres do dia como pela carga de responsabilidades que pode ter e, assim, vai deixando a coisa de lado. E acaba com isso sofrendo suas consequências desagradáveis, como o afastamento das pessoas próximas, depressão e a halitose.
Alguns artifícios existem para tratar da TPM, mas aqui o que posso orientar é para evitar o mau hálito. Portanto, o ideal é tratá-la com seu ginecologista.
Assim, beba água para se hidratar, procure alimentos fibrosos, faça higiene bucal rigososa e, se necessário, um chicletinho também ajudará a estimular a salivação. No mais, se o mau hálito persistir após esse período delicado de TPM, procure um especialista em halitose.
Fonte da imagem: Flickr (Floyd Brown)
Este artigo foi publicado pela autora originalmente no blog Odontodivas
Mau hálito e persistência
Por que falar em persistência ao tratar de mau hálito? Simples: o tratamento exige do paciente persistência em cumprir com um ritual de cuidados e hábitos saudáveis, que permitam a ele se livrar da halitose.
Na grande maioria dos casos de halitose, identificamos no paciente o descuido na sua higiene bucal e nos seus hábitos alimentares, que por si só são fatores importantes para já determinar a existência de um quadro de mau hálito, embora existam outros que podem ser igualmente determinantes.
Por isso, no início da avaliação eu já explico que persistência é o maior aliado do paciente que deseja fazer o tratamento.
É nessa hora que eu escuto a pergunta mais frequente: “Será para sempre?” Sim, será. Afinal de contas, somos um acúmulo de atitudes diárias e repetitivas que são necessárias para que vivamos, como comer, dormir, beber, tomar banho e isso todo dia para sempre.
A pessoa que precisa melhorar sua higiene e seus hábitos alimentares para resolver o problema halitose adquire melhora na qualidade de sua saúde e vida, aprende a se alimentar melhor e, com frequência correta, a higienizar corretamente sua boca e a valorizar mais a si mesmo, melhorando também sua autoestima. Então, que seja para sempre!
Não existe remédio que impeça um dente de cariar, se a pessoa nunca escová-lo. Não existe solução imediata para quem quer emagrecer e nunca mais engordar. Tem de se controlar e persistir, já que possui uma predisposição a engordar. Não existe um remédio que trate uma doença em um único dia de tratamento.
Então, quem tem halitose e se identifica a predisposição para isso precisa andar na linha. Precisa ter persistência e não deixar de lado aquilo que o faz ter mau hálito.
Fonte da imagem: Flickr (peregrine blue)
Aparelhos intraorais e o mau hálito
Fonte da Imagem : Rob!
Hoje a abordagem do Saudálito é sobre a halitose em quem usa aparelhos móveis, próteses, placas, entre outros. Como a dificuldade em higienizar existe, dicas e explicações estão aqui para ajudar e evitar o mau hálito.
Entre os principais dispositivos intraorais (há vários) temos:
- contenções móveis ortodônticas
- aparelhos usados nos casos de ronco e apnéia
- dispositivos intraorais usados para proteger os dentes do bruxismo
- próteses totais e parciais
Medidas simples que evitaram o mau cheiro nesses aparelhos e os farão durar mais:
- guardá-los no seu estojo quando não os estiver usando;
- escová-los com uma escova de dentes durante a sua escovação normal dos dentes;
- quando possível evitar comer com o dispositivo, pois ficará mais difícil limpá-lo;
- alguns dispositivos exigem que o paciente se alimente com eles;
- pode-se deixar o dispositivo imerso em: (lembrar de enxaguá-lo antes de usar)
- água oxigenada;
- bicarbonarto;
- pastilhas especiais para esta finalidade encontradas em farmácias;
- algumas soluções cloradas também podem ser utilizadas.
- existe um dispositivo de ultra-som que pode ajudar a remover sujeiras incrustradas
Lembre-se:
- Utilize dispositivos intraorais limpos, é importante para o seu hálito e principalmente para a sua saúde.
- Dispositivos Intraorais não duram para sempre, siga as instruções de seu dentista quanto a manutenção dos mesmos
O assunto abordado foi gentilmente pesquisado e cedido pelo colega e agora amigo, Dr Marcelo Cesa. Ele é cirurgião-dentista, mestrando em DTM e Dor Orofacial. É autor do blog : www.malditobruxismo.com que aborda o assunto com muita propriedade e desmistifica o tão temido bruxismo. Pode encontrá-lo no twitter ou no grupo de estudos também.
Não existe mau hálito
É esta a conclusão que tenho diante da minha experiência não só profissional, mas também de vida. E por quê?
Porque antes eu achava que sim, ele existia, mas ao saber que o mau hálito tinha tratamento e havia correr atrás de aprender a tratá-lo, descobri que aquele que o tem não sabe, aquele que sabe convive com a vergonha e quem não convive com a vergonha sofre de descaso. Então percebi o seguinte: tratar-se de algo tão desagradável – como o mau hálito – não é desagradável para todos. Ou melhor, não incomoda a todos.
A maioria das pessoas que possui mau hálito toma banho todos os dias, usa roupas de marca, os melhores perfumes, o corte de cabelo da moda e o celular mais caro. Mas a boca pode estar caindo aos pedaços e o hálito… O que é isso mesmo? Ah, esse realmente não existe.
Eu achei que era doidice minha e que só eu tinha um olfato muito apurado e vivia sentindo odores desagradáveis, já que sofro de enxaqueca, a qual me permite, de certa forma, identificar cheiros a quilômetros de distância. Mas depois passei a me dar o luxo de não me sentir doida e sim determinar um novo fato. Mau hálito não existe!
E assim todos seremos mais felizes, pois este termo será menos um a ser colocado no dicionário e falado nos consultórios dentários.
P.S.: Mas se alguém pensar da maneira antiga, como eu pensava, procure o tratamento. TEM CURA!
Fonte da imagem: Flickr (Looking Glass)



