jul 11, 2011
Paula Rollemberg

Dra. Olinda Tárzia no Saudálito

Hoje o Saudálito tem o imenso prazer em entrevistar Olinda Tárzia. Ela é Doutora em Bioquímica pela FOB-USP (Faculdade de Odontologia de Bauru), professora de Graduação da disciplina de Halitose da FOB-USP e da primeira turma de especialização em Halitose no mundo, na Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas. Com uma carreira intensamente dedicada ao ensino e à pesquisa, Dra. Olinda é autora do primeiro protocolo de tratamento de Halitose, dando origem ao livro “Halitose: Um Desafio que tem Cura“, reconhecido internacionalmente como a primeira publicação mundial sobre o tema:

Pergunta: Qual a maior resistência do paciente de halitose durante o tratamento?

Em geral eles desconhecem os riscos sistêmicos que as bactérias produtoras de mau hálito podem provocar se caírem na corrente circulatória ou se forem espiradas. Por esse motivo negligenciam os tratamentos sistêmicos à partir do momento que sentem bons resultados com o tratamento local.

Quando o tratamento sistêmico envolve procedimentos para corrigir o fluxo salivar, em geral exige mudanças de hábitos e nesse aspecto a resistência é razoável.

Pergunta: Qual a sua visão sobre o tratamento de halitose entre os colegas dentistas que não tratam o problema ou que desconhecem a existência do tratamento?

Acredito que hoje já está começando a aumentar o interesse pelo assunto, porém muitos deles não têm tempo para se dedicar a fazer um curso ou estudar e deixam para depois.

Muitos colegas começam a valorizar de fato o tratamento e se interessar pelos conhecimentos básicos sobre o assunto no momento em que se tornam pacientes e recebem tratamento adequado.

Pergunta: Na sua opinião a halitose deveria ser uma especialidade odontológica?

No momento acho que se trata de uma idéia prematura. Há falta de professores do assunto, as escolas de odontologia não têm grade curricular correspondente. Falta massa crítica.

Dentro de algum tempo é bem provável que venha a se tornar especialidade reconhecida.

Pergunta: A halitose é contagiosa?

Ao contrário das halitoses de causas sistêmicas, toda a halitose cuja origem seja a boca ou a garganta e vias aéreas, pelo fato de acontecerem por contaminação bacteriana, pode ser transmissível.

No entanto, dependendo da resistência do hospedeiro (entenda-se: composição e fluxo salivar normais) pode não acontecer, mesmo quando ocorra eventual exposição à flora patogênica.

Pergunta: O que a Sra. gosta mais: dar aulas e se dedicar à pesquisa científica sobre o assunto ou ao atendimento e acolhimento do paciente?

A gente só se sente completa quando ensina, pesquisa, aprende mais e se dedica ao paciente. É difícil escolher uma das opções. Até para sair da rotina é muito bom variar a forma de interagir com o assunto.

Pergunta: Qual perfil deve ter um profissional que trata de halitose?

É importante saber ouvir o paciente, ter paciência e passar credibilidade, caso contrário eles não executam os procedimentos propostos de acordo, prejudicando o tratamento. Também não pode se esquecer de se atualizar sempre porque se trata de uma área em rápida evolução.

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3 comentários

  • Não faz sentido formar um especialista em um determinado sinal e/ou sintoma clínico. Isso não tem nada a ver com massa critica…Halitose não deve ser encarada como especialidade. Trata-se de um sinal clinico importante e deve ser relevado. Só.

  • Olá, Luciano!
    Achei interessante seu comentário. Vc fala isso como experiência própria no tratamento de halitose? Costuma receber paciente clinicamente tratado com queixa de halitose e que conseguiu tratar e acompanhar por um tempo de 1 ano?
    Obrigada pela visita! :)
    Paula Rollemberg

  • [...] A Dra. Olinda Tárzia, autora do livro “Halitose: Um Desafio que Tem Cura”, fala sobre o tema –> Saudálito [...]

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