Mau Hálito na Academia

Fonte de imagem: Flickr SFO CP
Hoje a dica é para a turma que se preocupa com a saúde e frequenta academia. E começo perguntando: você se preocupa com seu hálito quando está se exercitando?
Pois é, muita gente não lembra desse item essencial que faz parte da socialização em ambientes como de uma academia, onde muitas pessoas frequentam e se encontram diariamente.
O que a maioria sabe mas não se atenta é que ao exercitar-se a orientação dos professores é inspirar pelo nariz (puxar o ar para dentro) e expirar pela boca (soltar o ar para fora) nos momentos de execução de um exercício. E aparentemente não há problema nisso, desde que seu hálito esteja bom.
Infelizmente tenho observado na prática que as pessoas não se atentam ao seu hálito, fazendo o vizinho de aparelho sair de perto e interromper a própria atividade, pois não aguenta a halitose do vizinho. Não há nada mais desagradável que estar tentando se exercitar e do seu lado ter alguém com halitose, fazendo de sua atividade física um sacrifício por conta da falta de cuidado do outro.
Por isso fica aqui o alerta: se você tem dúvidas se tem mau hálito e frequenta uma academia, pergunte a alguém de sua confiança e, na falta de informação, use um chicletinho. O seu companheiro ao lado agradece!
Dia nacional do combate ao mau hálito
Hoje, 22 de setembro, é o dia nacional do combate ao mau hálito. Neste dia, diversos profissionais da área em todo o Brasil concentram seus esforços em disseminar informação sobre a halitose para estimular a conscientização do público em relação a este problema bucal que todavia carece de conhecimento ao alcance do grande público e até entre os próprios profissionais da saúde, incluindo dentistas.
Há quase 3 anos o Saudálito colabora nesta disseminação, publicando regularmente assuntos relacionados ao mau hálito, com informações didáticas e dicas sobre o problema, com a finalidade de levar esclarecimento às pessoas. Portanto, fique sempre à vontade para enviar suas dúvidas sobre mau hálito (e problemas relacionados) através de nossa página de contato!
Afinal: quem trata o mau hálito?
Essa é a pergunta que mais recebo dos leitores desde que o Saudálito foi ao ar.
A resposta é: primeiramente quem está mais próximo, como profissional, é o dentista. É ele quem pode prevenir, orientar e muitas das vezes tratar. Afinal de contas o hálito é exalado pela boca.
Entretanto, o que muita gente ainda não sabe é que existe o especialista em halitose.
Porém, como a halitose pode ser originada por diversos fatores e ultrapassou os limites da Odontologia, a atuação deste especialista é reforçada, na maioria das vezes, com o trabalho em conjunto de otorrinos, gastros, nutricionistas e psicólogos, entre outros.
Por isso se você tem mau hálito, procure seu dentista. Se sua saúde oral estiver ok, mas persiste a halitose, então procure um especialista em halitose. Garanto que seguindo este caminho e estando nas mãos certas, seu problema será resolvido.
Fonte da imagem: Flickr (AlishaV)
Atenção à limpeza da língua (sob diversos aspectos)
É importante estimular o hábito da limpeza da língua para evitar problemas relacionados ao mau hálito, como a saburra lingual.
Para assim disseminar este hábito saudável que complementa a higiene bucal, um fabricante norte-americano de raspadores de língua lançou uma campanha de comerciais que mostra o quão desagradável pode ser uma língua que não preza pela higiene – no caso abaixo não apenas a higiene bucal, mas também a “verbal”!
Pilocarpina e a xerostomia
A pilocarpina é um medicamento feito a partir das folhas de uma planta originalmente brasileira, o jaborandi. Ela é amplamente utilizada na oftalmologia para tratamento de glaucoma, pois tem efeito miótico (isto é, faz contrair o músculo da pupila). Ela tem diversos efeitos colaterais, como a diminuição da visão periférica e restrição de uso em alguns pacientes com mal de Parkinson, entre outros.
A pilocarpina também pode ser utilizada na odontologia na forma do colírio, mas por via oral, por ter efeito estimulatório no fluxo salivar de pacientes que apresentam xerostomia (baixo fluxo salivar). No entanto, não é um medicamento que pode ser utilizado indiscriminadamente por aí.
Infelizmente, o fato é que muita gente, sabendo da utilidade do medicamento, passa aos pacientes como modo de estimulação salivar, principalmente em caso de halitose com quadro de baixa salivação, sem antes avaliar corretamente o paciente ou tentar estimulá-lo com métodos mais simples que tragam benefício à sua saúde. Resultado: tem muito colega dando tiro no escuro, prejudicando principalmente seu paciente.
Poucos profissionais sabem usá-la e orientar seu paciente adequadaente. Portanto, se você tem baixa salivação e, com isso, quadro de halitose, consulte primeiro um especialista no assunto.
Fonte da imagem: site Planeta Sustentável
Boca de Bueiro pode ter outro significado…
…se a pessoa não cuidar regularmente do seu hálito! A imagem a seguir, original de uma peça publicitária de uma agência da Índia para um mascarador de hálito, fala por si só:

Fonte da imagem: site Ads of the World
Dra. Olinda Tárzia no Saudálito
Hoje o Saudálito tem o imenso prazer em entrevistar Olinda Tárzia. Ela é Doutora em Bioquímica pela FOB-USP (Faculdade de Odontologia de Bauru), professora de Graduação da disciplina de Halitose da FOB-USP e da primeira turma de especialização em Halitose no mundo, na Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas. Com uma carreira intensamente dedicada ao ensino e à pesquisa, Dra. Olinda é autora do primeiro protocolo de tratamento de Halitose, dando origem ao livro “Halitose: Um Desafio que tem Cura“, reconhecido internacionalmente como a primeira publicação mundial sobre o tema:
Pergunta: Qual a maior resistência do paciente de halitose durante o tratamento?
Em geral eles desconhecem os riscos sistêmicos que as bactérias produtoras de mau hálito podem provocar se caírem na corrente circulatória ou se forem espiradas. Por esse motivo negligenciam os tratamentos sistêmicos à partir do momento que sentem bons resultados com o tratamento local.
Quando o tratamento sistêmico envolve procedimentos para corrigir o fluxo salivar, em geral exige mudanças de hábitos e nesse aspecto a resistência é razoável.
Pergunta: Qual a sua visão sobre o tratamento de halitose entre os colegas dentistas que não tratam o problema ou que desconhecem a existência do tratamento?
Acredito que hoje já está começando a aumentar o interesse pelo assunto, porém muitos deles não têm tempo para se dedicar a fazer um curso ou estudar e deixam para depois.
Muitos colegas começam a valorizar de fato o tratamento e se interessar pelos conhecimentos básicos sobre o assunto no momento em que se tornam pacientes e recebem tratamento adequado.
Pergunta: Na sua opinião a halitose deveria ser uma especialidade odontológica?
No momento acho que se trata de uma idéia prematura. Há falta de professores do assunto, as escolas de odontologia não têm grade curricular correspondente. Falta massa crítica.
Dentro de algum tempo é bem provável que venha a se tornar especialidade reconhecida.
Pergunta: A halitose é contagiosa?
Ao contrário das halitoses de causas sistêmicas, toda a halitose cuja origem seja a boca ou a garganta e vias aéreas, pelo fato de acontecerem por contaminação bacteriana, pode ser transmissível.
No entanto, dependendo da resistência do hospedeiro (entenda-se: composição e fluxo salivar normais) pode não acontecer, mesmo quando ocorra eventual exposição à flora patogênica.
Pergunta: O que a Sra. gosta mais: dar aulas e se dedicar à pesquisa científica sobre o assunto ou ao atendimento e acolhimento do paciente?
A gente só se sente completa quando ensina, pesquisa, aprende mais e se dedica ao paciente. É difícil escolher uma das opções. Até para sair da rotina é muito bom variar a forma de interagir com o assunto.
Pergunta: Qual perfil deve ter um profissional que trata de halitose?
É importante saber ouvir o paciente, ter paciência e passar credibilidade, caso contrário eles não executam os procedimentos propostos de acordo, prejudicando o tratamento. Também não pode se esquecer de se atualizar sempre porque se trata de uma área em rápida evolução.
O mau hálito em paródias de cinema
Um fabricante norte-americano de spray mascarador de hálito realizou uma campanha curiosa onde inseriu o mau hálito como tema principal em diversas cenas de cinema de várias épocas, como por exemplo, o derrareiro final de Titanic:
Vale conferir também as paródias de Duro de Matar, o Iluminado, Pulp Fiction, Casablanca e os 300 de Esparta.



